Teori pareceu impaciente com “a insistência” dos advogados em converter o cliente em perseguido. E avisou: ''É importante destacar que esta Corte possui amplo conhecimento dos processos (inquéritos e ações penais) que buscam investigar supostos crimes praticados no âmbito da Petrobras, com seus contornos e suas limitações…” Foi como se o ministro dissesse: “Não queiram ofender a minha inteligência.”
Em resposta ao despacho de Teori, os defensores de Lula reiteraram: ''É notório que Lula tem sido vítima de diversas e gravíssimas ilegalidades perpetradas naquele juízo paranaense, o que explica o comunicado feito em julho à ONU''. Se fossem médicos, os advogados de Lula estariam retocando as manchas que aparecem na radiografia, em vez de cuidar do paciente.
Na vida, todo mundo deve raciocinar com hipóteses. Das mais amplas às mais específicas. Levando-se o raciocínio dos doutores às fronteiras do paroxismo, a melhor das hipóteses é que Lula seja mesmo vítima de um complô da Polícia Federal, dos procuradores da Lava Jato, de Sérgio Moro e agora de Teori Zavascki para fazer de um político exemplar um ex-presidente desonesto.
A pior das hipóteses é que, alheio à evidência de que tudo o que está na cara não pode ser uma conspiração da lei das probabilidades contra um inocente, a Operação Lava Jato está prestes a converter Lula em denunciado, réu e, no limite, condenado. Diante de tais hipóteses, Lula tem duas alternativas: ou reivindica que seu caso seja apreciado pela Assembleia Geral da ONU ou contrata advogados capazes de defendê-lo, urgentemente, do mérito das acusações. Se o despacho de Teori revelou alguma coisa é que Lula virou um suspeito indefeso.