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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Em PE, 300 mil pessoas recebem água só de carro-pipa, diz Compesa

Dos 87 reservatórios existentes no estado, 42 estão situação de colapso.
Segundo companhia, 1,1 milhão de habitantes têm abastecimento precário.


Barragem Riacho do Pau, localizada em Pedra, abastecia Arcoverde e está com 0,9% da capacidade total (Foto: Divulgação/Compesa)Barragem Riacho do Pau, localizada em Pedra, abastecia Arcoverde e está com 0,9% da capacidade total (Foto: Divulgação/Compesa)
O estado de Pernambuco vive uma crise no abastecimento de água. Dos 87 reservatórios, 42 estão em colapso. Isso reflete na vida de milhares de pessoas. Segundo a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), atualmente, 1,1 milhão pernambucanos têm atendimento precário. Desse total, 300 mil são atendidos apenas por caminhão-pipa.
Segundo dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), dos reservatórios que estão em colapso, 15 se encontram no Agreste e 27 no Sertão. Sendo assim, 48% das unidades monitoradas pela agência não têm condições de fornecer água.
A Compesa possuía captação em 14 dos 87 reservatórios. Todos secaram. São eles: Tabocas, Mateus Vieira, Poço Fundo, Santana II, Ipaneminha, Mororó, Pedro Moura Jr., Duas Serras, Taquara, Barra, Cachoeira I, Marrecas, Rosário e Saco I.
Ao todo, 28 cidades eram abastecidas pelos reservatórios que estão em colapso. Já 25 municícios são atendidos por unidades consideradas em pré-colapso, ainda segundo a Compesa.
Funcionário da Compesa há 18 anos e à frente da diretoria regional do interior há pouco mais de um ano, Marconi de Azevedo, comenta que nunca viu uma seca tão devastadora como esta. Para ele, o retrato dessa realidade é desolador.
“O prolongamento das condições climatológicas severas levou o Nordeste para uma condição de seca extrema. A maior seca que eu vi foi a de 1999 e não foi tão grande como essa. Nos 45 anos da Compesa, não houve uma seca dessa magnitude”, afirma.
A pior situação é registrada nas regiões do Agreste Setentrional e Meridional, em Vertentes,Toritama e Caruaru,  estendendo-se para as áreas de Belo JardimTacaimbó e Pesqueira
De acordo com ele, o prejuízo mensal com o abastecimento de água por caminhão-pipa gira em torno de R$ 3,8 milhões. “Nós gastamos R$ 2,3 milhões com a distribuição e deixamos de arrecadar R$ 1,5 milhão. Isso porque não podemos cobrar esse fornecimento”, pontua.
Contudo, essa distribuição não é feita diariamente. A maioria dos municípios atingidos sofre com um rigoroso sistema de racionamento de água. Com o recente colapso da barragem Riacho do Pau, Arcoverde, por exemplo, terá cinco dias com água e 23 sem.
“Procuramos uma estação de tratamento mais próxima e saímos distribuindo essa água. Depositamos em reservatórios que parecem uma caixa d´água na cidade. A estação serve, então, como uma espécie de chafariz para a população, que busca água nela”, explica Marconi.