segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Gabarito do Enem chegava a custar R$ 180 mil, diz Polícia Federal

Quadrilha que fraudava Enem foi alvo de operação da PF em MG, CE e BA.
Candidatos usavam ponto e central telefônica para receber as respostas.


Candidatos pagavam entre R$ 150 mil a R$ 180 mil por um gabarito do Exame Nacional do Ensino Médio, descobriu a Polícia Federal na operação Embuste, realizada em Minas Gerais, Bahia e Ceará. A tecnologia usada pelo grupo criminoso responsável pela fraude possibilitava que o resultado chegasse a qualquer lugar do país e permitia ainda a comunicação entre quem repassava as respostas e quem as recebia. 
Vinte e oito mandados foram expedidos pela Justiça, quatro de prisão temporária. Até a publicação desta reportagem, havia 10 prisões confirmadas só na operação Embuste. No total, 11 pessoas foram presas por suspeita de fraudes no Enem 2016, informou a Polícia Federal em entrevista coletiva.
O delegado Marcelo Freitas explicou que, de um hotel em Montes Claros (MG) a quadrilha enviava o gabarito para os candidatos, que usavam um microponto colocado no ouvido e uma central telefônica acoplada no peito ou braço. Ambos podem ser apontados com o uso de detector de metais, mas a PF acredita que o equipamento não esteja sendo usado de maneira eficiente. 
Candidato de 34 anos é preso em flagrante por usar ponto eletrônico durante Enem em Fortaleza (Foto: Divulgação/Polícia Federal)Candidato preso em flagrante por usar ponto durante
Enem em Fortaleza (Foto:Polícia Federal/Divulgação)
Áudio e tosse
“Pela primeira vez constatamos o retorno de áudio por parte do candidato. A maneira que ele usava para demonstrar ao interlocutor que compreendia ou não o gabarito era por intermédio de tosse. Se tossia uma vez ele havia compreendido, se tossia duas vezes, o interlocutor repetia o gabarito”, disse Freitas.
Escutas autorizadas pela Justiça mostram que antes do exame era feito um teste para verificar se o candidato conseguia escutar a voz de quem iria repassar as respostas para ele. Durante o cumprimento dos mandados foram apreendidos vários equipamentos usados na fraude.
Sobre as investigações
As investigações duraram 15 dias e demonstraram que o foco do grupo era voltado para os candidatos que queriam entrar em faculdades de Medicina públicas e particulares. Mas a organização demonstrava interesse em atuar também em concursos públicos.
“Os lideres da organização, via de regra, são estudantes de Medicina que conhecem pessoas habilitadas em todos os conteúdos do Enem. Eles contratam essas pessoas, conhecidas como os pilotos, que realizam a prova da disciplina que têm conhecimento. Passado algum tempo, eles saem desses locais e levam até a base [hotel], onde os líderes repassam para as demais pessoas beneficiárias do esquema”, explica Marcelo Freitas.